Existe uma classe que quase todo mundo marca no pedido, muitas vezes sem precisar. É a 35, de serviços de comércio e publicidade. E ela é, de longe, a mais congestionada do sistema.
O tamanho da fila
Contando as marcas vivas na base do INPI, por classe:
| Classe | Marcas vivas | Do que trata |
|---|---|---|
| 35 | 652.617 | Comércio, varejo, publicidade, gestão de negócios |
| 41 | 353.280 | Educação, treinamento, entretenimento |
| 42 | 167.314 | Tecnologia, software, design |
| 25 | 158.898 | Vestuário e calçados |
| 09 | 148.145 | Aparelhos, softwares e equipamentos |
| 44 | 135.436 | Saúde, estética e serviços veterinários |
| 05 | 126.126 | Produtos farmacêuticos |
| 37 | 124.875 | Construção e reparos |
| 43 | 119.221 | Alimentação e hospedagem |
A 35 sozinha tem quase o dobro da segunda colocada, e mais que a soma da terceira com a quarta.
Por que ela lota
Porque é a classe do "vender". Qualquer negócio que revende produto ou faz publicidade cabe nela, então virou a escolha padrão — inclusive de quem não precisava. O efeito prático é ruim para você por dois motivos.
Mais marcas vivas significa mais chance de colidência. Numa classe com 650 mil registros ativos, a probabilidade de existir algo parecido com o seu nome é muito maior que numa classe específica.
E o exame fica mais rigoroso na comparação, porque há mais anterioridade para confrontar.
Quando você realmente precisa da 35
Você precisa quando o serviço de comércio é o seu produto: loja, marketplace, distribuidora, representação comercial, agência de publicidade. Nesses casos a 35 não é opcional — é a classe correta.
Você não precisa dela quando fabrica algo e vende o que fabrica. Quem produz o próprio doce e vende protege o doce na classe de alimentos, não o ato de vender. Marcar a 35 nesse caso adiciona custo (a taxa é por classe) e entra na fila mais cheia sem ganho de proteção real.
O erro que custa dinheiro nos dois sentidos
Existe o excesso e existe a falta.
Excesso: marcar classes "por garantia". Cada classe é uma taxa a mais, e a proteção que não corresponde à sua atividade real ainda pode ser questionada por caducidade depois de cinco anos de não uso.
Falta: registrar só a classe do produto quando o negócio também opera varejo próprio. Aí a proteção existe no que você fabrica, e não naquilo que o cliente enxerga — a loja.
Como decidir
A pergunta certa não é "em qual classe eu me encaixo", é "o que exatamente eu quero impedir que outro faça". A resposta define a classe, e às vezes define mais de uma.
É uma decisão de estratégia, não de formulário — e é a parte do trabalho que o preço mais baixo do mercado normalmente não cobre.
Fonte: base de dados abertos do INPI, atualizada em 22/08/2026.
Quer saber se o seu processo tem alguma dessas falhas?
A análise é gratuita. Se não houver caminho, você fica sabendo antes de gastar um real.
Continue lendo
Marca no INPI — assessoria em propriedade industrial. Este guia é informativo e não substitui a análise do seu caso concreto. Prazos e procedimentos variam conforme o estado e a fase do processo.